15 de março de 2007

Escarros e cuspidelas

Há acontecimentos na nossa vida que nos marcam pelos mais diversos motivos.·

Eu, prefiro os que me marcaram pelo seu surrealismo e que, de alguma forma, acabam por ter piada. Vou contar um episódio que é, ainda hoje, fonte de inspiração humorística.


Há uns anitos atrás, trabalhava eu, desalmadamente, em part-time, num videoclube que pertencia a uma famosa rede na linha de Cascais (faliram, coitados, eh, eh!).·Nessa época, e durante um período longo (talvez uns 3 a 4 meses) todos os sábados era eu que abria a loja. Esta, estava protegida por um conjunto de 3 grades, presas com cadeado e só removidas manualmente (aquilo, exigia as mãos, os braços, as pernas e o corpito todo).·

A rotina era simples: primeiro, abria a porta, desligava o alarme, ligava as luzes e o computador e, por fim, dedicava-me à terrível tarefa de ponderar o retirar, ou talvez não, as famosas grades.·

Não pensem que a minha hesitação era somente porque aquilo era pesado e difícil.
Não!!!
Nada disso!
Curiosamente, não era esse o meu desespero.Confesso que cheguei muitas vezes a ir, para o café, mesmo ao lado, aproveitando (claro) para tomar a bica e fumar calmamente um cigarro enquanto me preparava, psicologicamente, para o feito.·E, até me preparava para enfrentar o público - como se faz no teatro - a sua maioria funcionários de outras lojas ali ao lado e espectadores que ao passar para ir fazer umas compras paravam, espantados, a admirar o "espectáculo".
Mas que raio?
O que se passava afinal?
Já todos querem saber, não é? Eh, eh!Eu conto... eu conto...

Na frente da montra da loja, havia um banco, daqueles estilo jardim.
Ora, todos os sábados, nesse banco, estava um senhor, ansioso, à minha espera.

(Note-se que era sempre, e só comigo, que isto acontecia. Mais à frente já explicarei como fiquei com essa certeza.)

Pois que o senhor, esperava ansioso pela minha chegada. Os olhos até brilhavam....( Brrr, que susto!) Depois, ficava a admirar, calculista, o meu esforço a retirar as grades.
Feliz, por ter cumprido a difícil tarefa, dirigia-me para o interior da loja e, assim que entrava, o senhor....( isto custa-me até relembrar) bem, o senhor, batia levemente com o punho na montra, e mal me virava, para a mesma, começava a escarrar e a cuspir com toda a sua pujança contra o vidro.
Aquilo era um dilúvio de cuspo ranhoso!!! Um nooooojjjjjjjooooooo!!!!!

Quem passava, parava para ver e ao fim de 3 sábados haviam espectadores assíduos.
O meu maior susto foi sem dúvida a primeira vez que isto me aconteceu.
Pensei que o senhor era louco mas nunca pensei que repetisse.
Mas, qual quê?!
Ele sabia o meu horário e sabia, melhor ainda, que aos sábados de manhã ficava sozinha na loja (trabalhávamos em dupla, na maioria das vezes) e começou a fazer isto sempre!O divertido era que ficava nisto uma meia hora - a cuspir e a escarrar para a montra - e depois, ia embora, satisfeito da vida como se tivesse cumprido uma missão.

Eu, cheguei a pensar que, se calhar, teria sido indelicada para o senhor em alguma ocasião e aquilo era uma espécie de vingança. Cheguei a pensar muitas coisas mais...cheguei a ficar deprimida por pensar que provocava este tipo de reacção nas pessoas...pensei tanto disparate...Ora, ao fim de uns 3 meses e farta de apreciar o espectáculo, resolvi pedir a um colega para trocar comigo o horário.

O Pipinho, assim lhe chamava, foi com dificuldade que aceitou a tarefa, pois até era hábito sair na sexta à noite e isto de ir de ressaca a um sábado de manhã, trabalhar e levar com uma cena destas não era fácil.
Mas, ele era um querido e lá foi todo preparado.·
Tranca de ferro, daquelas usadas no volante do carro, debaixo do braço, e postura a condizer.

Querem saber o que aconteceu?
Ah! Ah! Ah!Nada!!!!
Nada!!!
O senhor, estava lá mas quando viu o Pipinho...foi embora!
E esta?
No sábado seguinte, lá fui eu, a pensar que tudo voltava ao normal e ....credo!
Atacada a montra novamente!
Reconheço que o senhor até era gentil.Imaginem que, em vez de cuspir no vidro, me cuspia em cima? Mas tinha esse cuidado! Se calhar, era um cuidado semelhante ao da utilização de um preservativo.
Eu tinha era pena da D.ª Cipriana.
A D.ª Cipriana era a senhora que às segundas feiras fazia a limpeza da loja.
Coitada!
Em crioulo - era de Cabo Verde - praguejava e dizia: - Essi Homi é máluco, minina!É porrrrco!

E isto voltou a repetir-se e a repetir-se...

Ao lado, havia também, uma loja de venda de frangos ao domicílio, estilo telepizza mas com frango que tinha um nome jeitoso: "TELEPITO" ( eh, eh, eh, nome muito feliz e original, sem dúvida também faliram) e as coisas chegaram a um ponto tal que todos os entrega-pitos queriam fazer o turno do almoço para, de manhã, estarem a postos de apreciar o espectáculo.
Era uma risota.

Mas, um dia, a D.ª Cipriana, acabou com a brincadeira. Farta de tanto cuspo e ranho seco para limpar nos vidros fez "queixa à patroa" e claro que quando questionada contei a verdade.

Até parecia que a maluca era eu!

A partir daí, começaram outros a fazer o turno de sábado de manhã e o meu senhor amigo, cuspidor profissional, acabou por desaparecer.

Fica aqui um apelo: Se conhecerem o famoso escarrador e cuspidor profissional, digam-lhe que sinto a sua falta para animar as minhas manhãs de sábado.
Digam-lhe também que, infelizmente, moro num terceiro andar porque senão teria muito gosto em vê-lo a escarrar nas minhas janelas.Digam-lhe que é a minha fonte de inspiração para a maledicência porque, a partir de hoje, sempre que me apetecer falar mal de algo ou de alguém, irei chamar à crónica, "Escarros e Cuspidelas 1, 2, 3"... e por aí em diante.
Descobri que escarrar e cuspir em quem não gostamos é uma terapia muito frutífera.
Obrigada senhor escarrador cuspidor.


25 de fevereiro de 2007

Ai!Ai!Ai!Aiiii!!!!!!!!!!

Que grande seca...
Que chatice!
Todos os anos, quando o miúdo adoece, eu acabo por ficar com o dobro do que ele teve.
Um horror!
Desta vez, uma tosse, um catarro, um tudo me aparece...
Lembrei-me de uma musica do Sérgio Godinho que fazia parte do genérico de uns Desenhos Animados, da minha Infância, e que diziam algo assim:

"Por incrível que pareça,
por incrível que pareça,
não há nada,
não há nada,
que não me aconteça.
Ó sorte, malvada,
que vida Desgraçada,
ai!ai! ai! aiiiiii!!!!!!!"


Eram uma espécie de passarocos que viviam numa árvore!
E pronto! Quem se lembra?

22 de fevereiro de 2007

A amiga Papoila e o seu Cravo

Hip! Hip! Hurra!
Foi o que me apeteceu gritar quando soube que a Papoila 73 tinha encontrado o seu Cravo!
Já foi há algum tempinho, eh, eh.
E, sei que Deus é grande e está do lado dos que têm coragem de enfrentar a vida.
Tenho fé, e acredito, que ainda vou ver aquele campo cheio de pequenas flores.

Este exemplo, dá-me coragem para acreditar que, afinal, ainda é possível existirem os sentimentos que costumo designar como SENSACIONAIS - Sentem-se e são Reais! Eh, eh!


Desencantei-me com o Amor e ele fugiu de mim.
Não corri atrás e ele sumiu.
Nem a sua mãe, a Paixão, me quis falar!
Mas, eu sigo o meu caminho, devagar, devagarinho...

Quando a outra Papoila encontrou o seu Cravo,
vi sementes a desabrochar.
E, que bonito, de repente, tudo ficou!

E, se acredito neles, porque não em mim?

Talvez um Malmequer, um qualquer, um dia, me queira conhecer...
Mas se é um Mal que me Quer, é óbvio que não estou a fim.
Quem sabe um Lírio? Ou um Girassol?
Mas, não sei como cultivar meu jardim.
Vou ter que aprender, vou ter que suar,
E assim, não sei se quero tentar!
Já me cansei antes, de tanto me esforçar...

FIM.

17 de fevereiro de 2007

Rádio " Ai que Nerrrvvvvooossss"


Há dias que moem o nosso corpo e ferem a mente de tão chatos que são.
Hoje, é um deles.
Após 9 dias com o puto doente, os meus pais, em minha casa, para "ajudar", e um dia só com 2 cigarros fumados, os nervos são mais do que uma realidade; são uma onda de frequência tipo FM/AM em que todos os canais que tento sintonizar, passam a mesma música.
Arre!!!!!
Embirrações e mais confusões:


1. SACOS DE PLÁSTICO

Sacos de plástico é uma fixação de muitos elementos da terceira idade, que conheço.
Mas, como os meus pais, nunca vi.
Minha mãe, sabendo da minha velha embirração aos sacos, tem actualmente uma atitude de sacodepedente ou sacoólica (nem sei como chamar). Esconde os sacos nos cantos das gavetas, nos cantos da fruteira, até por trás do frigorífico.
E, não vale a pena pedir para não tarzer mais para casa. Ela acha que fazem sempre falta para o lixo, para colocar de tudo, dentro. Ora, sendo a velocidade de entrada de sacos em casa superior à de saída, prevejo, que dentro de 1 ano os móveis da sala terão que sair cá de casa para ter espaço para os indispensáveis sacos.

2. LAVAR A ROUPA SUJA

Socorro! Socorro! Não aguento! Tenho uma máquina de lavar roupa que não sendo de primeira linha, funciona muito bem.
Quem, pode, por favor, explicar à senhora minha mãe que a máquina é para usar?
A maezinha, diáriamente e, até mesmo antes de tomar o pequeno almoço, já está a esfregar a sua roupita, no lavatório, com toda a energia. E, se alguém estiver com pressa para ir à rua, trabalhar, ou mesmo fazer um xixizinho, tem que esperar pois, segundo a maezinha, a roupa é assunto prioritário. Nada a fazer!
O pior é que o meu filho com a idade que tem, suja imensa roupa e isto aqui em casa torna-se um drama.
De cada vez que suja uma camisola, lá vai a maezinha, a correr, esfregá-la no lavatório, acompanhada da frase: "- Melhor ir já, senão não seca!". É demais!
Tenho um roupeiro, cheio de roupa, para o miúdo, e o coitado tem que vestir as mesmas peças, dia sim, dia não, porque "como até acabei de passar, é mesmo à medida".

3. LAVAR DA LOIÇA

É como a roupa...

4. CHANTAGEM
Pois, perguntam-me porque aturo isto, né?
Pois... Aturo porque sou sozinha com o meu filho, não tenho absolutamente mais ajudas e, aproveitando-se desse facto, tenho que ceder, deixando-os remodelar a casa, colocando os móveis da maneira que mais gostam, tirando os meus tapetes favoritos, arrumando as coisas a seu jeito, cozinhando, lavando o que querem, como querem, caso contrário, oiço: "- Se não nos deixas fazer assim, vamos embora agora mesmo e, desenrasca-te!".
O que me vale é que estes períodos duram somente o tempo de doença e recuperação do miúdo (só que desta vez já vai 1 mês).

Se deixar de vir aqui... é porque posso ser visitada no Miguel Bombarda.

14 de março de 2006

- Esquartinhada- ano 2003
Já fiz coisas melhores, coisa piores...
Na verdade, este quadro foi feito em cima do acontecimento.
Durante uma visita do meu ex, ao filho, em dia de fim-de-semana, comecei a deixar sair a raiva, a dor e o ódio e saíu...o que se vê.

Posted by Picasa

Ardejo


- Ardejo -
Pormenor de quadro pintado em 2003.
Dimensões: 73x92





Tentava fugir do que sentia,
esforçava-me por sentir o que não conseguia
mas, sentindo o que não queria, fiz o que nem pensara.



Papoilicha

- Quem sou?
- Às vezes, pergunto-me isso mesmo!
Ainda sei pouco de mim. Sei que tenho 37 anos, sei que sou mãe, sei que todos os dias aprendo um pouco mais sobre mim e ou outros.